junho manifesto

/ coletivo - 25 de junho de 2013

Acho que vai um tempo pra gente realmente entender e perceber os reais desdobramentos das manifestações que ocorreram em junho de 2013. A contaminação de uma ideia, a distorção de uma ideia, a catarse coletiva, a pulverização de vozes, lideranças, polarizações, politizações. Uma grande onda que, em São Paulo, pudemos acompanhar de perto. Ou melhor, de dentro.

Nós do coletivo fomos pegos de surpresa pelo início das manifestações. No dia 6 de junho estávamos alheios às primeiras ações de protesto organizadas pelo Movimento Passe Livre.
Mas devido a localização do nosso escritório as manifestações praticamente bateram à nossa porta. E foi assim, meio no susto, que registramos o primeiro ato contra o aumento da tarifa no transporte público.

Aos poucos, fomos nos aproximando cada vez mais dos atos. Descemos para as ruas e começamos a gravar algumas imagens ainda sem nenhuma ideia da proporção que tudo aquilo tomaria.
A partir do terceiro ato ficou claro que todas aquelas pessoas nas ruas, que só aumentavam, não desistiriam tão cedo. Um registro mais imersivo, poderia vir a ser um importante documento. Foi assim que nos vimos envolvidos em todos os protestos subsequentes não só pelos motivos pessoais/políticos de cada um, mas também numa busca de entender aquilo que acontecia de forma tão veloz na nossa frente.

O vídeo não só para nós, mas para o movimento e inclusive seus opositores, transformou-se numa das maiores armas, forma de comunicação, material vital de legitimação ou deslegitimação. A partir do quarto ato uma verdadeira guerra de imagens tomou conta das redes sociais, televisões e jornais.
O trecho de um dos nossos vídeos circulou por diversos blogs e portais de notícias, juntamente com milhares de outras experiências e relatos que iriam marcar a virada decisiva da opinião pública em relação as manifestações.

O quinto ato poria os mais diferentes tipos de pessoas na mesma rua, na mesma avenida, lado a lado. Ele consagraria a força do movimento e encurralaria de vez o poder público, numa manifestação de proporções que ninguém da nossa geração viu igual. Mas estava germinado também um irreversível desencontro de interesses no choque ideológico dos mais variados tipos de manifestantes que tomaram as reivindicações para si.
Foi assim que no sexto ato os extremos começaram a ganhar formas claras e ideais dos mais divergentes engoliram o próprio movimento.

No dia 19 de junho foi revogado o aumento da tarifa na cidade de São Paulo.
O sétimo ato convocado pelo MPL seria uma comemoração. Mas o que se viu na avenida Paulista foram todas as contradições e excessos em campo. O último vídeo que realizamos a partir deste ato é um mini-doc que procura sintetizar e expor um pouco do que foi essa ressaca final após um mês como este Junho avassalador que passamos.

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primeiro ato


 

segundo ato


 

terceiro ato


 

quarto ato


 

quinto ato


 

polifonia