Proposta feita para um concurso de arquitetura em Antonina, PR.

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Terra, mar e mangue. Estas foram as áreas de abrangência do projeto de intervenção na Praça Feira-Mar. Através destes três pilares o projeto visa proporcionar aos usuários experiências relacionadas a aspectos ambientais, culturais e históricos de Antonina, tendo como resultado final a preservação dos mesmos. Além disto, o projeto objetiva o fortalecimento da vida em comunidade, do turismo e da geração de renda local.

As intervenções na Praça Feira-Mar consistem em áreas de esportes, lazer, descanso e contemplação distribuídas de forma homogênea ao longo de toda a praça. Foram propostas soluções inclusivas, que abrangem espaços e atividades para crianças, jovens, adultos e idosos, bem como portadores de necessidades especiais. Buscou-se atender a demandas atuais da comunidade local, como a falta de espaços públicos de lazer e de atrativos para jovens; bem como foram propostas soluções arquitetônicas e de infraestruturas com baixo custo de manutenção.

Valorizou-se a prática de esportes náuticos e o contato com a água através da criação de um deck para shows e eventos com um bloco de apoio para a prática de caiaque e stand up paddle, esportes já praticados na região. No mesmo deck há ainda uma piscina com sistema de tratamento biológico da água do mar.

De modo a reforçar o percurso pelo eixo longitudinal da praça, o Mercado Municipal foi realocado fora da mesma e incorporado a outros programas, constituindo o Complexo Feira- Mar. Desta forma, liberou-se a perspectiva da paisagem em direção ao mangue, o qual pode ser apreciado a partir do Deck Observatório do Mangue.

 

 

O projeto de revitalização da Praça Feira-Mar foi desenvolvido considerando-se investimentos a curto, médio e longo prazo na cidade; tendo em vista seu porte atual, seu potencial de crescimento, sua dinâmica cotidiana, aos finais de semana e em eventos especiais.

Considerando-se o potencial turístico de Antonina, foram identificados lugares próximos à Praça com potencial para receberem futuras intervenções. Dentre estes, destaca- se as ruinas do Armazém Macedo, na rua Marquês do Herval. Esta ruína faz parte de um possível percurso histórico na cidade, onde a Praça Feira- Mar poderia ser o início ou ponto final do trajeto. Neste contexto, a intervenção na Praça priorizou o pedestre e os ciclistas, de modo que o acesso de veículos é restrito a moradores e comerciantes na Praça e nas ruas de acesso direto a ela.

A intervenção na Praça Feira-Mar buscou valorizar a paisagem da baía de Antonina, o espaço e edifícios de uso público e/ou coletivo. Atividades de pequena e grande escala foram mescladas, visando atrair à Praça tanto os turistas como os habitantes da cidade, de forma a contribuir para a construção de um sentimento de pertencimento por parte da população local. Dentre outras intervenções propostas, há a demolição da edificação do trapiche; ampliação do pier; e preservação das árvores existentes, realocando-as o mínimo necessário. O paisagismo é integrado ao mobiliário urbano, criando espaços de descanso e contemplação mais reservados.

As atividades já existente que animam e movimentam a cidade aos finais de semana e em ocasiões específicas ao longo do ano, como o Carnaval de rua, o Festival de Inverno da UFPR, entre outros, também foram considerados. Em contraponto aos diversos equipamentos esportivos na Praça, o conjunto do deck e arquibancada comportam grande número de pessoas.

Através do deck de eventos, propôs-se uma aproximação do mar. No cotidiano o deck pode ser utilizado como solarium; podendo abrigar também grandes eventos, como shows, feiras e apresentações. Além disso foi proposto um edifício de apoio no qual ficam armazenados os equipamentos esportivos e uma piscina natural com tratamento biológico da água do mar, tendo em vista que o comprometimento da qualidade da água da baía é inevitável por conta da poluição difusa da cidade e de atividades portuárias nas proximidades.

Além do potencial turístico da cidade expresso anteriormente (pela presença de edifícios históricos e festas sazonais), há potencial no desenvolvimento do turismo agrícola, que abrange desde as etapas de cultivo do alimento até o consumo dos mesmos em restaurantes, mercados e feiras. Desta forma, propôs-se uma horta de alimentos orgânicos a ser usada de forma coletiva pela comunidade. Sua implantação em um dos acessos da Praça ganha visibilidade e possui caráter experimental e didático. Os resíduso orgânicos gerados na Praça e no Mercado Municipal são levados para a Composteira localizada na horta. O adubo produzido é utilizado na própria horta e na Praça.

A Praça Feira-Mar conta, portanto, com um conjunto de infraestruturas pensadas para viabilizar uma manutenção de baixo custo, auto-sustentável e de baixo impacto ambiental dos equipamentos e ecossistemas criados. Há ainda um sistema de fitodepuração para tratamento do esgoto gerado no Complexo Feira-Mar e nos quiosques da Praça; e uma lagoa biológica para armazenamento e posterior reuso da água da chuva.

Pranchas do concurso